mochilão Amazônia
Eu embarco hoje a noite para Manaus, em companhia da ilustre Juju, que resolveu tirar férias e fazer uma viagem programa de índio e me convidou para ir junto. Confesso, estou com medo. É muita natureza junta. Mas, com sorte, vamos trazer muitas histórias legais pra contar sobre a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá.
E nessas de ir para a Amazônia, num belo almoço dominical de família, meu pai me disse uma coisa que me fez pensar. Eu até já falei aqui que a Oxfam, uma respeitadíssima ong internacional, se pronunciou contra os biocombustíveis, alegando que eles são responsáveis por pressionar a fronteira agrícola para dentro das florestas. Eu vi umas fotos no Flickr desse cara aqui e fiquei pensando na gravidade do problema. Até que meu pai me deu um ponto de vista mais interessante: a história da humanidade é feita em cima disso, tirar floresta pra botar um arado ou um rebanho. Afinal um dia o mundo já foi muito mais floresta, as cidades não nasceram com espaço demarcado e terreno pronto. O problema é que não é isso que acontece na Amazônia. Lá o pasto ou a plantação vêm depois, muito depois do desmatamento. É o bônus. O negócio mesmo é a madeira. 300, 400 anos de luz do sol, chuva e carbono acumulados em enormes, preciosas, valiosas árvores. Que são vendidas a preço de banana. “É como se o cara pegasse um Audi e vendesse por 3 mil reais. Um carro de 140 mil, só porque está ali e não custou nada, está passando de um lado para o outro”, foi o que meu pai disse.
De onde eu vejo, a questão tem dois problemas: (1) tem gente comprando essa madeira ilegal. Enquanto tiver gente comprando e achando ótimo, vai ter gente vendendo e achando melhor ainda. (2) o preço é barato. O cidadão que desmata faz dinheiro porque o volume é enorme, mas se ele pudesse fazer o mesmo dinheiro, desmatando só uma parcela de um terreno, com incentivo para manter o resto e explorar a extração a longo prazo, não seria vantagem?
Aí eu fico pensando: por que será que é tão difícil emplacar a madeira certificada? Tendo oferta é fácil fácil criar a demanda. Só fazer uma campanha bonitinha. Chama a Xuxa, que é amiga da Mata Altântica (tá perto, vai), o Marcelo Rosenbaum que é arquiteto respeitado, e um FHC ou similar sério. Pronto, hypou.
Quem sabe na volta eu não trago umas respostas? Ou não. Enquanto isso, fiquem a vontade para mandar os comentários, perguntas, respostas, dúvidas, sugestões, declarações de amor e de saudades.

oi sê! check this out: http://www.ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=34293
beijos
Boa Viagem Senights!
cuidado com os mosquitos, os macacos, a onça … rssss ( just kidding!! )
Beijo!
ps: descobri hoje este seu blog,
visitarei mais vezes
Eu sempre tive vontade de embarcar numa dessa, mas nunca arrumei companhia prá aventura, e sozinho é meio mau. Boa sorte, e que nos traga boas estórias e boas fotos.
traz mtas fotos e principalmente mtos causos pra contar!

…a verdade é q a gente que tá longe daí não sabe nada sobre a Amazonia…
A saída é a exploração racional da floresta com um selo como o do FSC Brasil, que regula a prática em vários países. Já existem algumas iniciativas legais nesse sentido. É bom, porque aproveita economicamente a floresta sem exageros, o que tira o argumento de desperdício, e renova as árvores. Até onde sei, quanto mais jovem, mais CO2 ela consome.
Boa viagem!