os randomistas estão chegando
Eu já falei aqui que “desenvolvimento” se tornou um dos meus assuntos favoritos?
Se não falei, está falado agora. Começou com a sustentabilidade, depois veio o desenvolvimento sustentável, e depois em algum momento eu pensei que tão importante quanto a sustentabilidade deveria ser conquistar o desenvolvimento. Tirar as pessoas da pobreza. Emprego, comida, educação, dignidade. Não sei por que eu não tinha pensado nisso antes.
Até agora eu vi que existem mais ou menos duas correntes de pensamento nos Estados Unidos a respeito de desenvolvimento, principalmente em relação à África. De um lado, economistas como Jeffrey Sachs (que é professor da Columbia, aliás) defendem que tirar a África da pobreza é uma questão de dinheiro: quanto dinheiro os países desenvolvidos mandam para a região em forma de ajuda. Ou seja, com a quuantia certa, as políticas e intervenções certas, tirar a África da pobreza passa a ser uma questão de tempo.
Daí tem o pessoal que não concorda. O mais notório deles é o professor de economia da NYU William Easterly, que defende que o desenvolvimento econômico é alcançado através da iniciativa privada e do livre mercado. Ajuda econômica seria tipo terapia ocupacional para os países desenvolvidos: desperdício. A prova seria o fato de que apear dos bilhões de dólares despejados na África, o PIB da região não aumenta significativamente ao longo do tempo.
Aí entra uma senhorita francesa na discussão. Esther Duflo, economista do MIT. Desse debate todo, ela tira um raciocínio: não dá para dizer como a África estaria hoje sem a ajuda dos países desenvolvidos. Só existe uma África, com uma história. Não temos uma África-controle, uma África-placebo, que poderia nos dizer se as coisas estariam melhor ou pior sem a ajuda externa.
Mas, dizem meus amigos do MIT, independentemente da ideologia por trás da ajuda, existe um jeito de ter certeza de que a ajuda é o mais eficaz possível: testes randômicos controlados. Funciona assim: uma vila da África recebe a ajuda que sempre recebeu, outra não recebe nenhuma, outra recebe uma terceira ou quarta alternativa de ajuda. No final os resultados são comparados, sempre com esse grupo controle, o grupo normal onde nada foi feito.
Aqui nesse vídeo do TED a própria Duflo explica como funciona esse tipo de pesquisa:
A Bloomberg BusinessWeek chama esse pessoal do MIT de Rebeldes Pragmáticos.
Eu gosto duma boa rebeldia.

há um bom tempo que tô com o “desenvolvimento como liberdade” do amartya sen na estante e tô enrolando. agora deu vontade de ler.
Robertinha, leva para ler o avião! E depois me conta o que achou. Fiquei curiosa agora.
Ainda bem que você não matou o blog, como o post anterior sugeriu. Pô, justo agora que eu conheci esse cantinho? Vida longa ao blog!
Por falar em morte e redes sociais, eu matei meu twitter antigo. Mas criei um novo, hahaha. Já tô te seguindo. Me segue aí! Valeu! Beijo.
Oi Serena,
Sou aquele amigo da Livia, tudo bom?
vim aqui visitar seu blog e gostei muito. Eu sou mais um interessado em desenvolvimento e acho a Dufflo uma das pessoas mais inteligentes do mundo. É chocante! Alguém que sempre vale muito a pena ler (no caso ouvir). Gosto muito do Ray tbm, acho o livro dele o mais claro sobre o assunto.
Vc está no PhD de ECON em Columbia é isso?
Bom, nos encontramos por NY?
beijos
João
Sabe uma coisa q eu nao gosto em nenhuma das alternativas? Tratar a África como se fosse uma coisa só, não é, a gente tem um montão de países lá com várias culturas diversas e obviamente a solução em uma região não pode nunca ser igual e dar exatamente igual q outra. Pq o mundo ainda insiste em generalizar a África como se fosse uma coisa só?
Claudia, tem razão. Mas esse erro é mais meu do que das pessoas que estão trabalhando lá. Os estudos que o pessoal do MIT faz são extremamente localizados. Imagino que alguns aprendizados podem ser convertidos em “melhores práticas” para outros lugares, mas não acho que esse seja o objetivo principal.
parabens pelo post
Ótimo post! bjo