O último dia do ano
O último dia do ano é amanhã. Mas começou hoje, daquele jeito, sem hora para acabar: quatro papers por finalizar, duas matérias inteiras para revisar antes dos exames finais de amanhã, 15 horas de expediente, sem intervalo para almoço (ok, sem contar os cinco minutinhos de bate papo para praticar o espanhol com o tio da lanchonete).
3am, hora de voltar pra casa. Táxi. O motorista me conta que teve um dia longo também, começou as 5pm e vai até as 5 da manhã. Também me conta que no país dele estudava 12h por dia, seis dias por semana. Ciências da computação e alguma outra coisa que eu não processei. Tem diploma e tudo; da Cisco. Isso na Algéria. Mas não dava dinheiro, salário do mês era 100 dólares, menos do que ele faz por dia, como taxista, em NY.
“Você sabe se vai ficar nos Estados Unidos depois que se formar?” ele pergunta?
Não, sei. Ainda tenho tempo para decidir. (Essa é uma das perguntas que mais ouço, a resposta saiu bem automática)
“Pois se você puder escolher, não fique. Vá para a Europa, ou para Dubai”
Não fique? Mas você não ganha bem, não está fazendo dinheiro?
“Muito trabalho. Nunca se trabalha menos do que 12h por dia aqui.”
É, moço, acho que é para isso que estão me treinando. De novo.
Enfim, me desejem boa sorte.


Nã na ni na nina…